Lembra daquele nascer do sol?
Nascer do sol, promessas de olhos que falam. A brisa (que não me trouxe frio algum) agitava meus cabelos sem parar e o tempo todo eu te via sob fios dançantes. Nenhuma palavra. Canto de pássaros e melodia do vento. O mundo ganhava vida com o decorrer do tempo. Pensamentos aleatórios piscavam em minha cabeça e iam embora: sinto falta das joaninhas; os olhos dele ficam lindos com essa iluminação; depois de hoje vou começar a mudar minha vida...
A magia se dissipou um pouco. Mudei o foco da minha atenção, ele me olhou de volta e sorriu.
_ Por que a gente não toma café junto?
_ Sei de um bom lugar.
Com o coração macio e suculento depois de assistir a um show gratuito de calma para alma, cedi.
Passamos a nos ver mais e a deixar que a distância entre nós diminuísse. O nosso fim não importa, não mais. Guardo aquele momento imaculado na memória como se fôssemos dois seres sem maldade se fazendo bem. E assim foi, não foi?
Não o explico nem retrato-o, em minha memória dourada nós fazíamos parte de um fluxo de energia boa e eu me via refletida em seus olhos castanhos cheios de paz e admiração.
PS.: Nosso café foi jabuticabas colhidas do pé.
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