sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Guardiões do caixão


Como disse o escorpião à donzela quando ela começou a morrer: "Você sabia que eu era venenoso quando me pegou."

- Mago e Vidro, Stephen King

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Sem um cais

 Eu posso ser... Posso ser apenas um fruto da sua imaginação. Um vulto de olhos amarelos depois de algumas cervejas. Meu nome? Isso não é importante, brindemos o agora!

 Eu posso ser... Uma garotinha perdida na multidão, que aceita a companhia de estranhos e adora ouvir suas histórias.

 Minha natureza me impulsiona, a cada dia ou momento eu troco minhas combinações e desde então sou diferente (mas a mesma).

 Olho pela fechadura, encaro o astro sol; estranhos encantadores fisgam meu coração temporariamente, me afogo em beijos e carinhos, e depois fujo. Como uma criminosa que não se arrepende do que faz, me perco em copos coloridos. Adoro ver o mundo girar, é como se meus pés não estivessem mais no chão (não os sinto).

 Me deixe aproveitar meus momentos de insanidade pois o que resta fora disso é em boa parte seco e bruto. Sou uma sonhadora, uma sonhadora desiludida e desconfiada.

(pois em apertos de mãos se escondem navalhas e em beijos... promessas quebradas)


R.(2)

E quando eu menos espero acabo por esbarrar em uma criatura adorável.

=}

domingo, 25 de novembro de 2012

Pra você (um pouquinho de mim)

Gosto demais de muita coisa que me faz mal. Café, chocolate, mate, guaraná... Dormir tarde, encher a cara, remédios que me deixam grogue. Gosto muito de você, que não me dá nada e me faz suspirar e agir como uma garotinha de doze anos. Você, você mesmo que me esquece e me deixa pegando poeira, mas que de vez em quando vem me pedir abraços impossíveis de serem dados. E essas são as coisas que me fazem mal.  Você diz e não diz, e nada faz. Pare de furtar corações, rapaz.

(À parte)
Percebo enfim que não sei lidar com sentimentos espontâneos e teimosos que surgem sem uma justificativa.
E em minha mente a luta do que é emocional e inevitável com a racionalidade dura é constante até que um lado triunfe. Nesse caso específico, até que estou sendo bem mais racional. Mas isso é bom?
(Confesso que se o terreno não fosse tão escuro eu agiria diferente, mas, convenhamos, não é hora...)

Maldito seja. Tão adorável...

Vanilla

Lembra daquele nascer do sol?

Nascer do sol, promessas de olhos que falam. A brisa (que não me trouxe frio algum) agitava meus cabelos sem parar e o tempo todo eu te via sob fios dançantes. Nenhuma palavra. Canto de pássaros e melodia do vento. O mundo ganhava vida com o decorrer do tempo. Pensamentos aleatórios piscavam em minha cabeça e iam embora: sinto falta das joaninhas; os olhos dele ficam lindos com essa iluminação; depois de hoje vou começar a mudar minha vida...

A magia se dissipou um pouco. Mudei o foco da minha atenção, ele me olhou de volta e sorriu.
_ Por que a gente não toma café junto?
_ Sei de um bom lugar.

Com o coração macio e suculento depois de assistir a um show gratuito de calma para alma, cedi.
Passamos a nos ver mais e a deixar que a distância entre nós diminuísse. O nosso fim não importa, não mais.  Guardo aquele momento imaculado na memória como se fôssemos dois seres sem maldade se fazendo bem. E assim foi, não foi?

Não o explico nem retrato-o, em minha memória dourada nós fazíamos parte de um fluxo de energia boa e eu me via refletida em seus olhos castanhos cheios de paz e admiração.

PS.: Nosso café foi jabuticabas colhidas do pé.

sábado, 24 de novembro de 2012

Mago e Vidro

" Susan se aproximou da orelha dele, sussurrando:
_ Se me ama, então me ame. Me faça quebrar a promessa.
 Por um bom tempo, um tempo em que o coração de Susan ficou sem bater, não houve resposta de Roland, mas ela se permitiu ter esperanças. Então ele balançou negativamente a cabeça... só uma vez, mas com firmeza.
 _ Susan, não posso.
 _ Sua honra é assim tão maior que o amor que diz sentir por mim? Ié? Então vamos ficar por aqui.

(...)

 _Tudo está errado.
 Lentamente, com os olhos arregalados e ar sério, ele começou a beijar seu rosto. E depois de vários beijos em ambas as faces, percebeu que estava secando suas lágrimas. Então pegou-a pelos ombros e manteve-a um pouco afastada para poder olhá-la de frente.
 _ Diga aquilo de novo e eu vou fazer, Susan. Não sei se é uma promessa, um aviso ou ambas as coisas ao mesmo tempo, mas... diga aquilo de novo e vou fazer.
 Não foi preciso perguntar a Roland o que ele pretendia dizer. Susan teve a impressão de que o solo se movia e, mais tarde, acharia que, pela primeira e única vez em sua vida, havia realmente sentido o ka, um vento que não vinha dos céus mas da terra. Chegou a mim, afinal, ela pensou. Meu ka, para o bem ou para o mal.
 _ Roland!
 _ Sim, Susan.
 Ela deixou a mão cair sob a fivela do cinto de Roland e agarrou o que havia lá, os olhos fixos nos dele.
 _ Se me ama, então me ame.
 _ Ié senhora. Vou amá-la.
Ele desabotoou a camisa, feita numa parte do Mundo Médio que ela nunca vira, e pegou-a nos braços."

Ka, Roland e minha paixonite pelo passado de um personagem encantador.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

R.

 Ele é muito mais rock'n roll e eu fui (ontem) uma baladinha de amor. E talvez eu seja (ou tenha sido), também, uma tola ludibriada. Mas eu gosto do seu cabelo, do seu cheiro e gosto; e talvez eu queira mesmo ( um pouquinho ) mergulhar... e provar você. Como uma lambida no sorvete ou um shot de jäger.

 Um pouco de ar de trovoadas me fará bem. Então, por que não?
Sem espaço para amor, baby. Hoje é só um flash e uma queda. Mãos grandes e suor escorrendo pelas coxas. Nada mais que satisfação temporária sob a coberta.

Sem chance para amor porque não há amor. Hoje eu só vejo um mar de luxúria em olhos.


Isso soa triste? Vá se foder.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Tarde

Eu li sobre o futuro nos seus lábios de café. Eles me disseram: continue. Recuei, seus olhos caíram para o relógio de pulso. Hora de se despedir, não é? Te encaro e suspiro, penso em pedir para ficar mais um pouco. Mas eu nunca peço. Você me beija abaixo dos olhos e vira as costas. A imagem: ombros largos e cabelo que dança no vento, cada vez mais distantes. Aperto meu colar com a mão.

Começou a chover. Me despeço do seu cheiro de avelã e sigo para o outro lado da rua.
Afinal, nunca servi para ler o futuro.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O mundo é um moinho

E tem gente que parece que aparece pra aliviar essa sensação de sufoco que é a noção crua do mundo , da minha situação, do meu fim inevitável, da minha insignificância no meio desse mar de gente. Como pode a poesia de um alma sobreviver a tanta razão? Razão dura, cruel, insensível. Nem beijo de mãe, nem sopro de amante.

Em dias assim, quando abro os olhos e sinto o bafo da destruição inevitável em minhas costas, eu não sei o que fazer, ou dizer. Estamos fadados? É isso? O tempo que me oferecem talvez seja até longo, mas o fim é o mesmo!

Talvez essa linha de pensamento só esteja mais forte por eu estar parada, sem produzir nada. Escrevo, me relaciono com pessoas, tento ajudar quem eu posso. Mas é pouco. É muito, muito pouco. E o pior é ter noção disso, é saber! Não posso largar tudo e correr atrás do que acho que quero pois tenho uma filha-criança-e-mimada ( que me gerou ) e que me limita até o ardor da fala.
Aos poucos vou me sufocando nessa lama em que nasci. (Talvez um dia eu seja insensível e forte o bastante e arranque todas as amarras, e corra para o mundo tentando recuperar o tempo desperdiçado)

Não, não fale nada sobre isso. Quando eu souber o que vou fazer eu te conto.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Mergulhos

Vou ao mar e beijo sereias, descubro tesouros magníficos, seduzo marinheiros embriagados, ah! Mas então eis que desabrocha no meu peito uma flor escarlate: a saudade. Por isso eu volto, sem desculpas para dar nem flores a oferecer. Volto no silêncio de quem nunca partiu, mas com outro brilho nos olhos...

M.S. (4)




Te empresto um pouco de cor, querido. Tu não tens nada a perder, tens? És feliz com alguém que ama, rodeado por bons amigos. Te dou um carinho sem peso, meu bem. A vida já é muito dura. Me faço bem te fazendo bem! É por isso que a gente se entende.

Estou tentando não me machucar e evitar as rachaduras. Mas tu sabes como eu sou, querido. Sou Amanda! Beijo máscaras, me perco em olhos verdes, me afogo em cachos... Busco um quê de improvável e impossível néctar puro de amor. Tolices, tu sabes! Amor é o que pode nascer assim da gente, que se cuida, que se olha, que se adora... Mesmo que seja um amor bobo de irmão.

Te ter mais próximo esse ano foi... bem, algo que eu precisava.
Carinho e cuidado sem preço, e ousadia! Folia, olhos que vêem além!

Sou uma menina de sorte, amigos que me ajudam a flutuar não me faltam.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Cadê você, estranho encantador? É que eu ainda tô sorrindo...

O. Limão (2)

Estávamos esperando há meia hora e eis que a garoa começa com um vento gelado e cortante. Minha atenção voa para o outro lado da rua e meus olhos se prendem no sujeito: mesma altura, cabelo parecido, de costas. Aperto a boca; meu coração perdeu o compasso. Será? É noite, olho para a luz do poste para checar a intensidade da chuva: aumentou. Será? Impossível. Será? Sempre me arrependo dos "será's" ignorados, sei o que fazer. Me abraço com esse casaquinho vermelho que não aquece nada e atravesso a rua correndo. É, a chuva realmente aumentou! Frio estúpido. Chego perto, devagar. Cinco ou quatro metros. Não é. Sabia! O que ele estaria fazendo por aqui? Dou um sorriso de canto de boca para o nada, meio de decepção, meio de alívio. O martelar se acalma. Quase consigo vê-lo nesse menino, de costas. Quase uma miragem, assombração.

Não, eu não tenho nenhuma explicação nem justificativa para isso. Vai entender.

sábado, 10 de novembro de 2012

M.S. (3)

A voz que me segue em sonhos de labirintos...

- "A cada labirinto, uma saída
Mais amor nem sempre são mais feridas
A cada alma, uma canção
Não hesite, apenas seja
De vendaval a furacão, seja você
Isso é, de A a Z seja você
E só você"




(Amandize... <3 )


G.C.

Li, me senti feliz e apavorada, e triste, e apavorada. Meu Deus! Não não não não, não venha me dizer isso, por favor, não, não estrague tudo, não! Você me quer em suas mãos e entre seu cuidado e carinho há dois anos, é isso? Dois anos, cacete. Eu sou estúpida, sou? Não vou dizer que nunca notei seus sorrisos exagerados, mas eu não leio mentes! Saber o nome de seu concorrente? Você está louco? Não sou uma corrida, nem um troféu! Pare, ah, droga, como eu queria que você não tivesse falado nada disso. E seu texto? E seu texto! Quis te abraçar porque você é querido demais por mim e eu estou te machucando sem saber. Ah, cara, que merda. Eu não corri atrás, não fiz nada, eu só fui eu! E você vinha e me abraçava, me rodava no ar. E conversávamos sobre folhas de outono e desconhecidos adoráveis. Não estrague as coisas, não, não, não, não faça isso!

O amor deveria surgir apenas quando desabrocha em dois corações. Desculpa, desculpa, eu não vou mentir pra você. Eu gosto de alguém, ele não presta, você não o conhece, e eu não vou falar o nome dele pra você! E ele não é a porra do seu concorrente. Porque diabos eu nem sei por que ele mexe tanto comigo. Não me venha assim porque você não vai ganhar meu coração dessa maneira. Quando me apaixono é natural, até tento negar mas uma hora sou vencida e admito. Não é assim! Pare com isso. Não, não, não, não... mas que diabos. Em que porra de situação eu fui me meter... Que ficasse no não dito! Que não tivesse me dito nada! Uma hora você me esqueceria e eu seria sua paixonite do ensino médio, e você lembraria de mim com carinho apenas...

Você me quer? Não me diga isso. Eu sou uma bagunça, mas eu não quero criar bagunça! Eu não entro em corações, desarrumo os cômodos e sumo, eu não faço isso!

Você quer um bom motivo para o não? Além de gostar de outra pessoa, sou emocionalmente instável, problemática, sou uma bagunça. Não sou tão fodidamente feliz, sou uma mentirosa. Às vezes eu fico tão assustada com tudo que penso em fugir. Porque a vida é crua, é cruel. E estou... estou cansada boa parte do tempo. Você merece alguém melhor, alguém que ame você. Não eu. Então pare com isso, vamos fingir que nada foi dito, vamos?

"Loose lips sink ships"

Amandas

Às vezes eu odeio tanto minhas amandas que quero puxá-las pelos cabelos e esganá-las uma por uma. Mas sei que logo faremos as pazes e elas deixarão ( por uns dias ) de brigarem. Elas me usam, e às vezes eu deixo. Permito, solto minhas feras. Elas fazem uma bagunça! Encontro cinzas de cigarro em meus sutiãs e arranhões em meu pescoço e coxas, cartas exageradas e desesperadas. Tsc tsc. Mas não as expulso, elas são moradoras passageiras e só vão embora quando querem. O problema todo é que quando a estação muda uma fica com raiva de coisas que a outra fez, e as brigas explodem em minha cabeça como animais brigando por alimento. E até que eu consiga separá-las muita coisa já se quebrou. Então eu recolho os cacos da minha autoestima e segurança e tento me consertar. Bagunceiras estúpidas! Não percebem que só estão nos destruindo?

Novembro

Vim aqui no meio da chuva só para beijar o vento. O frio me envolve, estremeço. Vozes fazem os problemas pesarem como pedras presas em meus pés... não posso voar. Então me beije, vento, me beije! Pois hoje não posso ser você.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Conselho - M.S.

"cu de linguiça indeciso da porra
o tempo é o tempo que se tem
não adianta ele querer estar com você agora pensando em estar amanhã
se ele quisesse, arrumava tempo pra você"
Não quero pensar assim mas sei que você tem razão. Bah, que se foda tudo... tô me deixando levar. Se eu esbarrar em alguém daquele jeito lá, eu te conto. ( Embora uma das amandas não queira que isso aconteça, enquanto outra me pede para ser paciente e compreensiva outra me diz que eu tenho coisas mais importantes para me preocupar...) É... Mas por que diabos eu não me desapego desse menino? Vai entender...

Já tive de assistir isso sem poder fazer nada...  Agora, de novo.

Impressionismo

"É muita verdade para um livro só!"

As mãos dele tremiam ao mexer no meu colar. É boa a sensação de fazer mãos tremerem e corações saltarem... E ah, que gracinha!

_ O que acha da gente se ver outro dia?
_ É, pode ser.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

A vez de outono


Os teus traços tão belos contrastam com o meu orgulho. Sou fria, sou forte… mas aos poucos me desfaço.
(…)
Ai, eu juro! Se eu pudesse jogava no chão, e pisava. Quebrava e plantava os cacos de vidro.
Ai, se tu não fosses pura miragem! Os teus olhos ondulam. E quando tu me pedes, não sei negar. Quase me afogo com tantos lençóis. No desespero, um impulso no fundo me dá um pouco de ar. Querido oásis.
Teus cachos enrolo em meus finos dedos. No ouvido, segredos.
Na boca um beijo com gosto de mel e canela.
Me dispo, folha por folha, tão alva, tão fina. Teus dedos me cobrem, teus beijos colorem.
Perdão, palavras não tenho. Só sussurros disformes, e no âmago, calor. Uma febre indiscreta que chama, que chama! Convida, queima, consome.
(…)

(A vez de outono passou, mas o carinho pelo texto é o mesmo)

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Decifra-me ou...

Deixei em um beijo pro mar
a esperança de um dia voltar

Larguei no meio da estrada
metade do meu coração
pisoteado ele foi, em vão
ainda pulsa!

Perdi-me em tantos pedaços
que ofereci com tanto cuidado
deixou-me um machucado
um sussurro de cansaço

Uma fissura na alma;
quando o vento
por aqui corre
ganha voz...

A voz que me segue em sonhos de labirintos.