quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Tarde

Eu li sobre o futuro nos seus lábios de café. Eles me disseram: continue. Recuei, seus olhos caíram para o relógio de pulso. Hora de se despedir, não é? Te encaro e suspiro, penso em pedir para ficar mais um pouco. Mas eu nunca peço. Você me beija abaixo dos olhos e vira as costas. A imagem: ombros largos e cabelo que dança no vento, cada vez mais distantes. Aperto meu colar com a mão.

Começou a chover. Me despeço do seu cheiro de avelã e sigo para o outro lado da rua.
Afinal, nunca servi para ler o futuro.

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