quinta-feira, 8 de novembro de 2012

A vez de outono


Os teus traços tão belos contrastam com o meu orgulho. Sou fria, sou forte… mas aos poucos me desfaço.
(…)
Ai, eu juro! Se eu pudesse jogava no chão, e pisava. Quebrava e plantava os cacos de vidro.
Ai, se tu não fosses pura miragem! Os teus olhos ondulam. E quando tu me pedes, não sei negar. Quase me afogo com tantos lençóis. No desespero, um impulso no fundo me dá um pouco de ar. Querido oásis.
Teus cachos enrolo em meus finos dedos. No ouvido, segredos.
Na boca um beijo com gosto de mel e canela.
Me dispo, folha por folha, tão alva, tão fina. Teus dedos me cobrem, teus beijos colorem.
Perdão, palavras não tenho. Só sussurros disformes, e no âmago, calor. Uma febre indiscreta que chama, que chama! Convida, queima, consome.
(…)

(A vez de outono passou, mas o carinho pelo texto é o mesmo)

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