Surtada de raiva e entre lágrimas busquei a tesoura e o coração. Aquele mesmo coração que por anos dormira entre meus braços magros, aquele mesmo que já precisava de um banho. O primeiro corte foi o que mais doeu em mim: do tecido vermelho saltaram espumas brancas. Arregalei os olhos, horrorizada. Lembrei de quem me dera, do dia, da grande caixa cor-de-rosa chamativa e de quem a carregou. O primeiro e último corte... Uma pontada de arrependimento. Por quem eu estava fazendo aquilo? E por que? Por mim? Por ele? Por medo das consequências? Tive vontade de me estapear. Tão estúpida! Pedi desculpas (para ninguém) e abracei o coração rasgado.
Estava tentando esconder uma cicatriz que faz parte de mim, coisa que já nem doía mais, mas que estava ali. Me neguei ao tentar mudar o que tinha me tornado, ao tentar mascarar... Ainda assim me livrei do coração. Boba.
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