sexta-feira, 12 de outubro de 2012
12
Estas conchas me cortam a sola dos dedos dos pés. O mar frio vem e cospe sal em minhas pernas. Arde. Resisto.
Dedos gelados em minha nuca... Não é ninguém. Imaginação! Carência. Tudo minha criação.
Ou não? O que é real além do que eu sinto, vejo, toco?
Um beijo no ouvido e um sussurro de adeus.
(...)
Receio. Recuo. Meu pé afunda em um vão que me engole e me abraça. Em êxtase, respiro o outro lado, me afogo em delírios.
Mas sempre, meio trôpega, retorno à superfície. Puro sal, amarga, de olhos descrentes...
Creio que a entrega faz parte, mas se entregar é tão difícil para quem foi criado para resistir.
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