Tenho uma cicatriz. Ela faz parte (de mim) do todo.
(...)
Às vezes a escondo, me escondo. Me banho de preto, me enterro. Desvio.
O céu me chama, eu vou.
Não me pertenço,sou do mundo.
Nua, caminho sentindo todos os olhos em minha pele.
Meus pelos, curvas, pintas. Olhos famintos que devoram. Eu, crua, sou tragada.
Os arranhões são apenas sombras do que me consome por dentro.
(perdida - corro atrás de borboletas, ignoro as pedras, as cordas)
Perdida em mim me busco em olhos. Verdes, azuis, castanhos. Tristes, quentes, delicados.
Uma gota de suor escorre da (minha?) nuca. Eu a deixo rolar, me sujar, me manchar.
Uma gota dos olhos escapa. Eu a tento salvar e caio.
Chove. Sinto frio. Estou enfim só. Sinto a beirada do vão, aquele poço que me prende.
Em vão, me busco. E na ânsia de me encontrar me machuco, me afogo.
Logo acordo com o silêncio ( em mim ).
Sozinha eu vago, me jogo no mundo
às vezes tenho relances de mim, me dou um pouco de cor
mas eu sempre sumo
e me deixo só.
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