quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Digamos,

Quando você não sabe se está fazendo tudo certo
Quando você tem dois lados tão opostos que se agridem
Quando você quer ficar muito perto e logo se culpa
Quando você queria que fosse tão fácil para todo mundo seguir em frente quanto é para você
Quando o melhor que você faz é juntar quem te fez mal e o sentimento em uma caixinha (pesada) e jogar ao mar
Quando você queria não querer
Quando você queria saber
Quando você queria ter certeza
Quando todas as mentiras deveriam cheirar a roxo
Quando você se descobre já nadando
Quando tudo fica muito distante e você dorme sem pretender acordar
(e flutua em sonhos tão doces quanto o cheiro da alma)
Quando você se vê estragada
Quando você quer
(você sabia que eu era venenoso quando me pegou)
Quanto você tem(?) alguém que tenta ficar ao seu lado
Quando você repele
Quando você congela
Quando você sobrecarrega
Quando cai a ficha e você se desespera e se arrepende (estúpida!) e quer muito dar o fora (pra sempre)
Quando a ligação parece ter rompido
(não! por favor)
Quando você tem remédios
Quando você quer dormir com um só
Quando você se pega se importando (e cuidando)
Quando metade é muito doce e a outra metade te dá tiros no pé (um dia te acerta o pescoço)
Quando você quer ser mais
(ou nada)
Quando você sente medo (e se esconde nos lençóis)
Quando você quer abraçar muito muito forte
Quando você constrói muros muito altos ou grossos (e aí fica frio) (keep out)
Quando chove lágrimas em Janeiro
Quando sua memória se baseia em odores
Quando você sou eu

E escrevo, e me tacho, e me jogo, cuspo tudo
Eu era um vulcão e eu queimava tudo em meus poros
(mas isso era ruim)

(Quando você é uma) ostra.
E você se fecha, toma um ar, dá uma espiada (e tudo parece muito perigoso)

(porque no fim você não conhece nem confia em ninguém)
(e a cada atitude suspeita você recua um pouquinho)

Mas você tenta.

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